A renegociação de dívidas é, sem dúvidas o melhor caminho para garantir a saúde financeira. Existem algumas maneiras de renegociar o pagamento de um débito. Ele pode ser feito diretamente com o credor, em feirões para limpar o nome, por meio do refinanciamento de dívida – e portabilidade de uma instituição para outra e recuperação judicial. O ideal é sempre tentar entender o cenário em que está inserido e qual será a melhor maneira de fazer isso. Isso porque o não pagamento da dívida renegociada pode ser ainda pior.
1. Encare as dívidas
Se chegar a um ponto de quase insolvência, sua empresa precisará fazer o que foi negligenciado ao longo do tempo: encarar seus boletos, sem medo de pagar. Isso acontece porque há empreendedores que adquirem o costume de “empurrar com a barriga” os pagamentos de suas contas, acumulando vultosas dívidas empresariais sem sequer se dar conta disso.
Essa é outra prática nociva típica de gestões amadoras e que leva empresas a se endividarem conforme o tempo passa. Uma conta deixa de ser paga aqui, outra é paga com atraso ali e, ao fim de um certo período, aquela dívida aparentemente insignificante vira um tremendo rombo nas finanças.
Uma boa ferramenta financeira é a criação de um OBZ – orçamento base zero – que de maneira agressiva permitirá que você elimine uma série de despesas fixas que atrapalham demasiadamente os resultados da empresa.
Por meio do OBZ, você e sua equipe, poderão analisar todo o cenário financeiro da empresa. Para isso, será determinante que toda a equipe esteja alinhada e com um mesmo objetivo, sobretudo, ao desenhar as etapas de cada uma das atividades, sob pena do orçamento não adentrar em despesas relevantes, tornando-o sem credibilidade e com inúmeros gargalos.
2. Tente renegociar as dívidas
Para um credor, é melhor receber alguma coisa do que não receber nada. Partindo desse princípio, o ideal é que você adote uma postura que valorize o diálogo. É muito pior para ambas as partes um ambiente de incerteza. Portanto, não deixe de buscar um acordo que contemple as necessidades, suas e das empresas que têm valores a receber.
Caso haja um contrato regendo o dinheiro devido, fica mais fácil negociar, afinal, todos já sabem qual o ponto de partida para chegar ao melhor acordo. Se for esse o caso, tente primeiro reduzir as taxas de juros e eventuais multas previstas.
Caso não haja um contrato, então sua capacidade de expressar seu ponto de vista e de se comunicar serão fundamentais para chegar às condições desejadas. Lembre-se de que só o fato de mostrar-se disposto a pagar já conta pontos a favor — use essa vantagem com sabedoria.
3. Faça uma queima de estoque
Uma alternativa bastante utilizada por empresas que querem aumentar a liquidez, ou seja, gerar resultados a curto prazo, é a tradicional queima de estoque.
Caso sua empresa trabalhe com produtos perecíveis, essa estratégia deverá ser adotada com bastante cautela. Verifique criteriosamente junto ao controle de estoque se as mercadorias destinadas à queima ainda estão dentro do prazo de validade. Nada pior do que ter que lidar com a insatisfação de clientes em massa, após uma malsucedida liquidação de produtos com prazo estourado, certo?
Outro ponto que requer atenção é a manutenção da margem de lucro. Queimar o estoque não é o mesmo que abrir mão do retorno financeiro, mas sim vender com uma margem menor, garantindo preços atraentes para o consumidor e que permitam acelerar o giro de mercadorias.
4. Busque redução da carga tributária
A pesada carga tributária é um desafio constante para as empresas brasileiras manterem a lucratividade. Os valores destinados ao fisco consomem uma fatia expressiva dos lucros das empresas, que ainda se veem forçadas a se ajustar a um sistema tributário burocrático ao extremo.
Diante do enorme volume de obrigações acessórias, atualizações nas regras tributárias e custo gerado por tantos procedimentos, a perda de controle das finanças é uma ameaça real.
Esse risco se materializa quando as empresas acabam pagando impostos a maior, ou seja, arcam com tributos que poderiam deixar de serem pagos. Para isso, é fundamental a realização no início de cada ano um planejamento tributário, visando não só a redução da carga tributária com base na lei, mas que identifique lacunas nos procedimentos adotados, previna a empresa contra eventuais fiscalizações e ajuste os processos internos em relação com a parte tributária.
Pode parecer um custo extra, mas, em compensação, assegurará que você não pague mais impostos do que deveria, não tenha gargalos na sua operação e que todas as obrigações estarão cumpridas de acordo com a legislação brasileira, permitindo que seu negócio tenha maior lucratividade.
5. Tente fazer a transposição da dívida
Caso os débitos que sua empresa tem em aberto pertençam à instituições financeiras, uma possibilidade é negociar com uma terceira o pagamento dos valores devidos.
O mais importante é que as taxas de juros que você esteja pagando tornem a transposição vantajosa; caso contrário, sua empresa estará apenas acelerando o crescimento da bola de neve.
Por isso, é importante colocar em prática a negociação, de forma que a abertura de um novo financiamento não gere ainda mais asfixia financeira.
6. Recuperação Judicial
A recuperação judicial é o único remédio jurídico que impede a cobrança de todas as suas dívidas e a recuperação das garantias, maquinário ou outros bens essenciais à atividade da empresa, pelo prazo mínimo de seis meses, evitando que a empresa em dificuldade feche as portas.
Uma vez acolhido pelo Poder Judiciário, a empresa poderá renegociar suas dívidas com mais calma, sem o receio de que irá ter que fechar suas portas de um dia para o outro, sendo que seus créditos serão renegociados dentro de um cenário econômico que será projetado para os próximos anos.